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Momento II
8 OUT - 6 NOV 2022
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bruna prazeres
Tratado da Invenção das Coisas
Daniel Moutinho

  • 8-9 outubro 2022, 21h
  • KARNART

Tratado da Invenção das Coisas
Daniel Moutinho

  • 8-9 outubro 2022, 21h
  • KARNART
  • 120 min
  • M/14

Criação, direcção, texto e interpretação: Daniel Moutinho
Apoio à dramaturgia: Lara Mesquita
Vídeo: Vera Bibi
Cenografia: Carla Martinez
Assistente de cenografia: Isabelle Ivone Denken
Ambiente sonoro: Nuno Veiga
Desenho de luz: Carlos Ramos
Figurinos: Miu Lapin
Produção executiva: Cláudia Teixeira
Tatuagens por: Binho Onze, Bruna Prazeres, Mirna Garcia, Sofia Nabais, Molin
Residência de criação: Trust Collective; Companhia Casa Cheia
Acolhimento: Karnart C.P.O.A.A.
Apoio: República Portuguesa - Cultura I DGARTES – Direcção-Geral das Artes, Fundação GDA, Self-Mistake
Uma produção: Parrotrecord - associação culturalAgradecimentos: Fundação Calouste Gulbenkian, teatro meia volta e depois à esquerda quando eu disser

Tratado da Invenção das Coisas é a invenção de coisas na minha pele através de tatuagens.
Quando dizemos coisas podemos estar a referir-nos a muita coisa. As coisas são de alguma forma inomináveis, indefinidas, sem ser por esse aglomerado genérico de serem coisas (objectos, contos, ideias, matérias, imagens, projectos adiados, pensamentos, etc.). O Tratado da Invenção das Coisas é essa acumulação de pequenas narrativas tatuadas no meu corpo à medida em que fui me inventando e compreendendo.
Interessava-me o acto de inventar, inventar o meu corpo percebendo nele o que é a História Tatuagem, a minha autobiografia e a natureza das coisas, pressupondo que o que existe tinha uma natureza anterior à nossa invenção delas (pessoal e global).
Estranha invenção, esta, feita de dor.
A invenção de mim próprio, feita com agulhas e tinta.
Não existiria este corpo se não fossem estas feridas que inventei. Este corpo tatuado com os meus afectos e afectações, reais e ficcionais.
Pensava, enquanto era tatuado, que esta inscrição no meu corpo era uma forma de compreensão de mim próprio e da minha vida, mas simultaneamente uma leitura do mundo.
Posso reclamar um significado simbólico pelas imagens na minha pele, mas não estou seguro que me caiba a mim decidir. Eu não diria que sou dono das minhas tatuagens; elas estão simultaneamente em mim e para além de mim, como imagens, com histórias e conotações que o meu corpo não pode inteiramente definir.
Tratado da Invenção das Coisas é uma performance que vem dessa experiência do corpo.
Tratado da Invenção das Coisas é essa invenção de uma vida, enquanto construção de um cenário, uma enciclopédia viva do meu entendimento das coisas.

Daniel Moutinho

Biografias

Daniel Moutinho nasceu em Lisboa, em 1989.
Licenciado em Teatro pela Universidade de Évora (2007-2010). Pós- Graduado em Artes da Escrita na FCSH (2011-2013). Mestre em Arte Multimédia, especialização em Audiovisuais pela FBAUL (2014-2018). Frequentou workshops com Manuel Vason, Hancock & Kelly; Cia. Phillipe Genty e Guillermo Gomez Peña.
Criador das performances Absolutamente Falso, apresentado no FIKE em 2009; Cravo, apresentado no Festival Escrita na Paisagem em 2011; Outra Lição de Anatomia, apresentada na Exposição Internacional Tadeusz Kantor, em Évora, na exposição Máquina Tadeusz Kantor no SESC Consolação em São Paulo, e na Settimana Kantoriana, em Salerno, em 2015; e A Fila Para o Pão, apresentado em Évora, em 2020.
Foi co-criador e intérprete na peça Filhos do Retorno, do Teatro do Vestido (2017-2018).
Foi assistente de dramaturgia e tradutor de Kaite OʼReilly e Philipp Zarrilli no Festival Escrita na Paisagem 2010.
Foi assistente de encenação da peça Ocupação do Teatro do Vestido em 2019.
Curador da plataforma From My Window, com Nuno Veiga, em 2020. Formador no workshop Auto-Retrato de um Reflexo Nebuloso: entre a escrita autobiográfica e a imagem do corpo confinado, com Samara Azevedo, no 9o Festival de Artes Cénicas de Bauru, no Brasil, em 2020.

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5 MAI - 19 JUN 2022
Momento I