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Momento II
8 OUT - 6 NOV 2022
Quem tem medo das emoções?
Ana Pais em conversa com Jorge Martins Rosa e Graça P. Corrêa

  • 15 outubro 2022, 18h30
  • Liceu Camões

Quem tem medo das emoções?
Ana Pais em conversa com Jorge Martins Rosa e Graça P. Corrêa

  • 15 outubro 2022, 18h30
  • Liceu Camões
  • 60 min
  • M/12

Edição: Per form ativa, Associação Cultural
Projecto apoiado por: República Portuguesa - Cultura | DGARTES - Direcção-Geral das Artes
Edição co-financiada por: Teatro Rivoli e Teatro Viriato

A pandemia Covid 19 provocou um choque emocional em todo o mundo, convulsionando a vida como a conhecíamos e contaminando a nossa experiência íntima. Embora todos queiramos esquecer e ultrapassar o que vivemos, ainda não falámos o bastante sobre as marcas que essa experiência deixou em nós. Ainda não ganhámos uma maior consciência colectiva sobre como a nossa vida privada é determinada por condicionantes políticas, mediáticas, sociais ou culturais dos acontecimentos que atravessamos. O livro Quem tem medo das emoções? reúne episódios em que esses condicionamentos são evidentes, mostrando a relação determinante entre a nossa emoção individual e as atmosferas afectivas em que estamos imersos quotidianamente, numa perspectiva de construção de futuro.
O seu propósito é tornar acessíveis uma série de conceitos e autores contemporâneos que pensam criticamente os afectos que nos podem ajudar a compreender as tramas complexas que nos tecem.
A pretexto do recente lançamento de Quem tem medo das emoções? e da inauguração da instalação/performance de Eunice Gonçalves, juntamos em conversa o investigador Jorge Martins Rosa e a encenadora e investigadora Graça P. Corrêa para trocarmos ideias sobre emoções colectivas e a sua circulação no espaço público, o impacto emocional das imagens de catástrofes nos corpos e nas mentes, contágio ao qual ninguém está imune, e ainda sobre como a arte pode activar emoções e contribuir para uma consciência colectiva destas tessituras invisíveis.
Um pensamento é suficiente para envenenar o sangue. É como um pacotinho de chá mergulhado na água a ferver. Inerte e aparentemente inofensivo, o seu conteúdo contamina o ambiente onde submerge. O aroma das plantas vai-se diluindo, serpenteando suavemente em pequenas ondas até que toda a água fica tingida. Em apenas alguns minutos todo o bule fica da mesma cor. O mesmo acontece com os pensamentos, que transformam o tom emocional do nosso corpo. Imaginemos que um pensamento negativo pipoca na nossa mente, dilui-se silenciosamente e mergulha no nosso sistema sanguíneo, sem nos darmos conta. De repente, todo o organismo fica tingido pelas cargas afectivas que esse pensamento transporta e, como um filtro, permeiam todos os nossos comportamentos e acções dali em diante. Adquirimos o tom emocional desse pensamento, mesmo que não estejamos conscientes dele. De que cor está o nosso sangue depois de meses de pensamentos sobre a morte, a doença ou o contágio em infusão constante na mente? E, mais recentemente, em que cor se transmutou ele depois de semanas de exposição a imagens de guerra non-stop? Será que a nossa inquietação vem não só do facto de o conflito estar a acontecer na Europa, mas também da repetição incessante das mesmas imagens, uma e outra vez? (cap. Varandas, Quem tem medo das emoções? p.80)


Convidados: Jorge Martins Rosa e Graça P. Corrêa

Biografias

Ana Pais é investigadora em artes performativas (Centro Estudos de Teatro, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), dramaturgista e curadora. É autora do livro O Discurso da Cumplicidade. Dramaturgias Contemporâneas (Colibri, 2004) e de Ritmos Afectivos nas Artes Performativas (Colibri, 2018). Organizou ainda a antologia Performance na Esfera Pública (Orfeu Negro, 2017) e a sua versão em inglês disponível para download gratuito em www.performativa.pt. Foi crítica de teatro no Público (2003) e no Expresso (2004). Como dramaturgista, colaborou com criadores de teatro e dança em Portugal (João Brites, Tiago Rodrigues, Sara de Castro, Rui Horta e Miguel Pereira) e, como curadora, concebeu, coordenou e produziu vários eventos de curadoria discursiva, dos quais destaca o Projecto P! Performance na Esfera Pública (Lisboa, 10 > 14 Abril de 2017).

Jorge Martins Rosa é doutorado pela Universidade NOVA de Lisboa, sendo professor associado no Departamento de Ciências da Comunicação, bem como investigador no ICNOVA: Instituto de Comunicação da NOVA. Ensina sobre temáticas ligadas à cibercultura e aos media digitais, e foi investigador principal dos projectos «A Ficção e as Raízes da Cibercultura» (2010-2012) e «Redes de Participação Política no Facebook em Portugal» (2018-2022).

Graça P. Corrêa é investigadora em Ciência e Arte na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, integrada no Centro de Filosofia da Ciência-CFCUL, onde atualmente dirige projectos de investigação interdisciplinar sobre a correlação entre Teatro e Teorias da Emoção/Empatia, Sinestesia, Ecofilosofia e Ética.

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5 MAI - 19 JUN 2022
Momento I