TEMPS D'IMAGES 2009
29 OUT > 22 NOV
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
         
   
 
   
 
 
jesper just
INSTALAÇÃO
   
 

O artista de vídeo de renome internacional Jesper Just apresenta-se pela primeira vez com uma exposição individual em Portugal, no CAM Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Os vídeos de Jesper Just caracterizam-se pela sua extraordinária beleza, pela estética fílmica e pela sua ambiguidade; oferecendo uma consciente complexidade psicológica e convidando o espectador a múltiplas interpretações. No centro de todas as suas obras encontra-se o desenvolvimento emocional das personagens principais, frequentemente relacionado com um afastamento individual ou com uma quebra relativa aos padrões convencionais do papel do género, encenado como se se tratasse da sucessão de etapas existenciais que cada indivíduo tem de percorrer ao longo da sua vida.
Esta exposição individual de Jesper Just inclui o seu primeiro trabalho, intitulado No Man Is an Island (2002), This Love is Silent (2003), It will all end in Tears, 2006 e Something to Love, 2005. Integra ainda uma instalação vídeo composta por três filmes inter-relacionados do ponto de vista temático: A Voyage in Dwelling, A Room of One’s Own e A Question of Silence (2008).
Esta trilogia trata da viagem interior, mas também física, de uma mulher de meia-idade que vive em relação com os seus desejos; a forma como em alternância aprecia, afasta e rejeita o seu próprio desenvolvimento. Os filmes mostram o movimento entre os diferentes estados psicológicos e diferentes destinos, enquanto enquadramento mental adoptado pela protagonista.
No que respeita à componente visual, o trabalho This Love is Silent contém referências ao clássico film noir e ao género cinematográfico dos filmes sobre a máfia. A dramaturgia do trabalho centra-se no jogo psicológico que se desenvolve entre três homens. À medida que o vídeo progride, o equilíbrio de poder desloca-se entre os dois mafiosos velhos e brutais e a jovem vítima, que consegue penetrar as suas duras fachadas cantando e dançando.
O título do filme de estreia de Just, No Man Is an Island, refere-se a uma famosa citação do poeta inglês do século XVII, John Donne, que sublinha o facto de nenhum ser humano poder existir totalmente isolado. Neste filme, um homem de meia idade dança em câmara lenta em volta da praça Blågårds, em Copenhaga, ao mesmo tempo que um outro homem mais jovem permanece sentado na praça, sozinho e a chorar. Este cenário, acompanhado por um jazz etéreo, chega-nos como um pastiche de um filme dos anos cinquenta, simultaneamente auto-irónico e vagamente irreal.